sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Por que não acreditar?

Por que não acreditar? Eu tenho acreditado inutilmente há meses, com uma esperança sem fim, abalada, eventualmente, por apenas decepção profunda, mas passageira, que logo dá lugar à expectativa. Mais difícil do que perceber que estou dividido entre dois pontos de vista, é não saber o que fazer quando não se pode agradar aos dois simultaneamente.

Se agrado a razão, o emocional é ignorado, gerando incertezas e temores, pois sentimentos são contraditórios: ao mesmo tempo em que dizem muito, mostram pouco, deixando meu ser preso num corrosivo jogo de supremacia. Se agrado o emocional, a razão, irônica e cruel, faz questão de me mostrar o quanto já sofri por causa do valor excessivo que reservo ao emocional, expondo fatos e apontando defeitos.

Defeitos existem em tudo, mas não posso negar que os defeitos do emocional, que a razão insiste em me mostrar, são complexos e destrutivos. Quanto tudo parecer estar bem, num segundo de instabilidade, tudo aquilo que antes era concreto se torna o real exemplo do abstracionismo, onde se tem o ideal, mas é impossível agarrar com unhas e dentes algo que eu espero e não recebo.

Há sempre promessas de melhora, no entanto, que, somadas ao meu apego ao emocional, talvez alimentem minha esperança, uma vez que eu acredite. Só espero que tal promessa seja cumprida, pois não se brinca com esperança alimentada. Pode acarretar um grande estrago, talvez irreversível.

Sim, resolvi, mais uma vez, ignorar a razão e confiar na emoção, mesmo correndo o risco de perder a consciência, que também é muito importante para mim. Rezo para que seja a escolha certa, pois, caso não seja, não saberei, então, como agir.

...

Hoje me impressionei ao me ver chorando por somente um lado da face, sem sequer perceber de imediato. Mas não encontrei, embora tenha procurado, a figura de cabelo cor de fogo e vestido carmesim. Quem sabe ela não poderia ter me indicado o caminho correto?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Never said, but I love u, grandpa


“A vida sempre vai tentar te derrubar, apenas finja que esta no chão, e de a volta por cima.” dizia jaz meu avô, quando já no leito da morte, e essas palavras nunca saíram da minha cabeça, assim como a ultima vez em que a ouvi. Era noite de chuva, acompanhando de um frio desastroso, e na cama, jazia um corpo derrubado pela mais inútil e infeliz doença, a doença que faz a pessoa sofrer até o ultimo suspiro, matando cada célula do seu corpo, uma de cada vez, em uma velocidade atordoante. E então seu ultimo suspiro aconteceu, lagrimas rolaram face a baixo, gritos de raiva foram lançado ao cosmo, naquele momento foi estabelecido o ápice de minha tristeza, a solidão entrou em colapso com a fúria, e uma nova personalidade foi se difundindo através das lagrimas impetuosas e ardentes, desciam elas queimando como labaredas, os olhos impossibilitado de visão alguma pelas lagrimas se fecharam, e naquele momento, cheguei ao fundo do poço. Não podia, porém deixar que as últimas palavras ditas pelo meu avô fosse em vão, e quão sábia foram aquelas palavras, coloquei-me então sobre constante reflexão. Cheguei à conclusão de que a vida é apenas uma série de acasos constantes e desastrosos, onde a constante desastrosa pode se definir pela inconstante felicidade, ou simplesmente pelas perdas de quem amamos, afinal, o resto podemos aguentar com um sorriso no rosto.

"De ontem em diante serei o que sou no instante agora, onde ontem, hoje e amanha são a mesma coisa, sem a ideia ilusória de que o dia, à noite e a madrugada são coisas distintas separadas pelo canto de um galo velho. Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho do versículo e da profecia. Quem surgiu primeiro? O antes, o outrora, a noite ou o dia? Minha vida inteira é meu dia inteiro, meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro! Minha mochila de lanches? É minha marmita requentada em banho maria! Minha mamadeira de leite em pó é cerveja gelada na padaria, meu banho no tanque? É lavar carro com mangueira, e se antes um pedaço de maçã, hoje eu quero a fruta inteira. E da fruta tiro a polpa... Da puta tiro a roupa, da luta não me retiro. Me atiro do alto e que me atirem no peito, Da luta não me retiro... Todo dia de manha é nostalgia da besteira que fizemos ontem."

De ontem em diante - O Teatro Magico

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