sábado, 16 de julho de 2011

Ouve-se tanto sobre...

Ouve-se tanto sobre ética e moral, e humildade e disciplina, que os conceitos até se misturam.
Ética e moral estão intimamente relacionados, de fato, são conceitos subjetivos e de difícil entendimento. O que é ético para uma pessoa pode não ser ético para outra, e agir com moralidade para com a sociedade pode não ser ético para si mesmo.
Qual vale a pena, afinal? Respeitar e seguir normas que a sociedade impõe a você, sendo uma pessoa digna de respeito e admiração, mesmo que isso seja controverso a tudo o que você acredita, ou agir seguindo as suas normas, as suas regras e, portanto, sendo ético consigo mesmo e não se importar com o que a sociedade vai pensar de você?
O mundo facilita muito essa dualidade e oposição. Há estereótipos que “te definem”. Você é julgado mais pelo que aparenta ser e pelo que você tem do que pelo que você realmente é e pelo que você faz de bom, para as pessoas importantes para você, para a sociedade como um todo, ou mesmo para você.
Tudo nessa vida é tão subjetivo. O modo de viver da humanidade é ambíguo, talvez pelo mundo ter feito dele assim, ou talvez seja porque faz parte do instinto humano. Pessoas morrem todos os dias, defendendo sua pátria, defendendo o que importa a elas, defendendo seus ideais. Talvez não porque queiram, mas porque a sociedade determina que elas devem fazer isso. Serão vistas, então, como heróis, pela maioria das pessoas. Mas será mesmo que é isso que elas queriam ter feito? Morrido pela pátria, salvado a humanidade, sendo que tudo que precisavam era de sua família, seus amigos, as pessoas amadas. Eram felizes assim, mas morreram salvando a humanidade. Isso é ético?
Para a humanidade sim, mas para um indivíduo em particular talvez não seja… para mim não é.
Mesmo o conceito de humanidade é subjetivo. Pode significar a raça humana, como um todo. Mas e se, para mim, a humanidade se restringir àquelas pessoas que me fazem feliz, que me amam, que confiam em mim? Isso está errado?
E se eu morresse para salvar apenas esses, e falhasse em salvar a “verdadeira” humanidade? Seria anti-ético, num ponto de vista geral, mas seria completamente aceitável e admirável para mim, uma vez que eu defendi o que realmente me importava.
O fato é que muitas pessoas se iludem, achando que precisam agir moralmente com a sociedade para ser ético, mas, às vezes, a ética pessoal supera em muitos aspectos a ética coletiva. É óbvio, no entanto, que isso não serve de desculpa para qualquer ato imprudente e perigoso, ou hostil, que seja. É preciso SABER ser ético consigo mesmo, é preciso ESTAR CIENTE de que isso não vai prejudicar ninguém.
E é aí que entra a disciplina.
Saber como agir sem prejudicar ninguém, saber quando parar de fazer algo, saber o momento certo de começar a fazer algo. Mesmo que seja para aconselhar.
Outro conceito de difícil compreensão é a humildade. Será que ela pode ser subjetiva? Será que dando a oportunidade de alguém ser humilde, mesmo que isso signifique ser pretensioso, esnobe e arrogante, você pode ser considerado humilde? Será que se rebaixando grotescamente para forçar a humildade nas pessoas você pode ser considerado uma pessoa exemplar? Será que realmente vale a pena “forçar” alguém a ser humilde, quando nada que não é de boa vontade é bom? Será que isso não gerará apenas mais hostilidade e discórdia? Será mesmo que existem pessoas que fazem isso conscientemente? Ou será que é só uma desculpa para se promover ou “escapar” de ser chamado de arrogante?
Há tantas e tantas coisas no mundo que me deixam confuso, que me fazem pensar duas ou mais vezes (normalmente muito mais) antes de agir, talvez isso até me prejudique, de certo modo.
Mas, pensando melhor, há um bom motivo para as coisas serem assim. As pessoas mostram que realmente são dignas e merecedoras de adjetivos como “ético” “moral” e “humilde” quando conseguem superar as barreiras erguidas pela vida com respeito e cidadania.

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"De ontem em diante serei o que sou no instante agora, onde ontem, hoje e amanha são a mesma coisa, sem a ideia ilusória de que o dia, à noite e a madrugada são coisas distintas separadas pelo canto de um galo velho. Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho do versículo e da profecia. Quem surgiu primeiro? O antes, o outrora, a noite ou o dia? Minha vida inteira é meu dia inteiro, meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro! Minha mochila de lanches? É minha marmita requentada em banho maria! Minha mamadeira de leite em pó é cerveja gelada na padaria, meu banho no tanque? É lavar carro com mangueira, e se antes um pedaço de maçã, hoje eu quero a fruta inteira. E da fruta tiro a polpa... Da puta tiro a roupa, da luta não me retiro. Me atiro do alto e que me atirem no peito, Da luta não me retiro... Todo dia de manha é nostalgia da besteira que fizemos ontem."

De ontem em diante - O Teatro Magico

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